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A primeira diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa”.

Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.

A segunda lei diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.

Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo“.

Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.
‘E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, ele termina”.

Simplesmente assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência. Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado.

a esperar as primeiras gotas de chuva

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o sono dos justos. de dentro da ostra desgastada de sol a esperar as primeiras gotas de chuva que muito em breve cairão. a formiga macho casou-se com o gafanhoto.
que seja perene, eu desejo.

sobre a arte de ser prudente

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fiquei na janela, vidro aberto, vento-ventania-ventoinha e meu coração querendo saltar pela janela.
fechei o vidro: prudência.

dos que se desesperam: é o mundo

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ventou forte e, além dos jambos avermelhados, caiu ao solo um ninho de bem-te-vi. bem-em-frente-da-varanda-da-alice. juntou as duas mãos e tentou proteger o pobre bichinho. teria nascido agora? teria sido obra de algum menino da vizinhança com baladeiras em punho? ainda existiriam baladeiras? aonde andaria a mãe do passarinho que piava um choro de solidão?! o que fazer com um passarinho tão pequenino.

ainda bem que havia ainda o ninho e toda a ideia de um berçário, de um útero, de uma casca protetora a aquecer a pelugem de quem se esgoela pedindo alimento. alice, o ninho e o pássaro. achou melhor nomeá-lo, dar-lhe logo um substantivo, ter lugar no mundo – é possível que dessa forma ele permaneça, seja forte, fará falta.

confortou-o, mas seu coração gritava o piado dos que se desesperam: é o mundo. passou a noite entre o velar do ninho e sua própria dor.

na manhã dominical, logo após as missas ouvidas pela tv na casa da vizinha a constatação: a vida é frágil.

sem orientação alguma esperando o traçado

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dois cavalos – ou seriam dois pôneis? – presos, assim como nós, no engarrafamento da desembargador moreira observando o entardecer da cidade permanecidos desejosos – incluindo a gente – de chegar ao local de destino e deitarmo-nos para comer à sombra*.

luzes e buzinas giravam em um contornável problema que nos remete à terra-pátria de quinhentos e tantos anos além-mar. os cavalos – ou seriam dois pôneis? – sem ter como se segurarem naquela carroceria acoplada ao veículo branco, grande, de fabricação oriental. nós todos, cavalos – ou seriam pôneis? – e pessoas atrasadas, sem orientação alguma esperando o traçado de veículos e de caos que governa uma metrópoles.

 

*uma citação da banda letuce

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deve-se acrescentar um litro de água, está escrito no pacotinho. minha avó sempre disse para colocar pelo menos uns 250 ml a mais, por causa do sal dessas coisas industrializadas, que é muito alto, minha filha. me ensinou também que se ficar muito insosso e com cara de nada, eu coloque uma colherinha de maisena pra voltar a ficar encorpado.

sempre obedeço as ordens das coisas todas: a panela, a água, tesoura cortando o pacotinho, mexe cinco minutos, ferve quinze minutos, matem a panela fechada mais dez minutos, servem os quatro pratos, come sempre pelas bordinhas, onde se está mais frio, nunca fazer barulho sorvendo o líquido e por aí vai.

sorvi. cada colherada da canja industrializada (que possivelmente terá colocado ovos de leite em pó) foram descendo goela abaixo e eu olhando para ele; ele calado, suado, ofegando a quentura dos aromas,  o vento frio, o pano de prato, o prato de plástico e a maisena embolotada ao arroz.

limpou a boca com o pano de prato que não desencarde nunca, nem com a kiboa mais poderosa do mundo. arrotou e, enquanto bebia água na boca da garrafa plástica, ao pé da porta da geladeira, proferiu um elogio:

tava até boazinha, essa canja.

cinco de janeiro em cinco anos

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até pensei em fazer uma retrospectiva, como boa capricorniana que sou, mas não dessa vez. primeiro porque não tenho o adjetivo certo para qualificar o ano de 2011. segundo porque não entrei totalmente no ritmo de finalização de ciclos e, terceiro, resolvi mudar.

claro que minhas mudanças não são tomadas nos impulsos, em ímpetos de emoções ou rompantes coléricos. vem de tempo, gasta energia, me demanda uma ruminância grandiosa de guardados e não-ditos. mas tudo está aqui sentido.

não vou dizer do que passou, repito. prefiro compartilhar e – ainda – guardar o presente de hoje. meu avô e sua simplicidade em entender os dramas de sua família, a chateação em reclamar pela neta que vem de longe e só pensa em farras, da risada em ver o outro bisneto brincar sozinho, da satisfação em compartilhar alimento para tantos, de se queixar dos olhos, da vista cansada que ainda alcança o invisível, dessa plenitude em já ter vivido tanto e querer ainda mais, querer modestamente se apossar e dividir tudo o que a vida lhe deu.

feliz quase noventa e sete anos, vô.

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uma alteração no fluxo diário, uma pausa, um hiato.
veio com urgência essa necessidade de parar, respirar, observar-me, querer-me bem. dezenas de questões e o peito ofegante todo tempo. colapso nervoso, os médicos sentenciam. calmantes, relaxantes, música para meditar, amor carinhoso e ainda aqui o medo do mundo, o pânico dessa alteridade e a grande vontade de recomeçar, mesmo sem saber por onde.
atestado médico, vontades, degraus, a rua lá fora pedindo velocidade, o pão não chega, a conta no banco insiste em escarlate, fim de ano e tudo reluz lá por fora. troco lâmpadas, cruzo os dedos, passarinho canta comigo, folhas revoam num amontoado de planos e palavras.
como perdemos o equilíbrio das coisas? como podemos nos desprender de tanto cuidado? como ofertar segurança quando se caminha pelo meio-fio?
parei um pouco para não paralisar. logo recomeço o caminhar. meu cardume é dos que fazem o que gostam, acredito, sei e sinto isso.

NOTA: essa ilustração-letra-palavra-poema é da Letícia Novaes, que embalou a escritura desse post.

termo circunstancial de ocorrência

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oitavo distrito policial, josé walter. a atendente é uma civil, assim como eu e você, dessas mulheres que olham e fuçam bem a nossa vida e deduzem toda a nossa história pelo que vestimos e calçamos. indagou do boletim de ocorrência. temos dois, falamos. sondou daqui e dali, tamanco e gravidez de aproximadamente quatro meses, calor e sol das quase cinco horas e nos mandou aguardar.

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