na tua direção vai o meu corpo

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Até o fim do mundo, até o fim do mundo, até o fim do mundo, certo da certeza de que nada nos podia separar, como uma onda para a praia na tua direção vai o meu corpo, exclamou o Neruda e era assim conosco, e é assim comigo só que não sou capaz de te dizer ou digo-te se não estás, digo-te sozinho tonto do amor que te tenho, demais nos ferimos, nos magoámos, nos tentámos matar dentro de cada um, e apesar disso, subterrâneo e imenso, a onda continua e como para a praia em tua diração o trigo do meu corpo se inclina, espigas de dedos que te buscam, tentam tocar-te, se prendem na tua pele com força de unhas, as tuas pernas estreitas apertam-me a cintura, subo a escada, bato ao trinco, entro, o colchão conhece ainda o jeito do meu sono, penduro a roupa na cadeira, como uma onda para a praia como uma onda para a praia como uma onda para a praia como uma onda para a praia, na tua direção vai o meu corpo.

-Memória de Elefante – Antônio Lobo Antunes.

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eu não preciso dizer mais nada. nada.

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