fortaleza de sensações e imaterialidades que me compõem

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risquei um a um os quadradinhos do papel de aposta da megasena. a casa lotérica estava vazia, quase ao meio dia. em cada rabiscado mentalizava o que a possível dinheirama poderia me oferecer:
09 – viagens para onde eu quisesse, na hora e com quem eu quisesse estar.
12 – não precisaria mais trabalhar pra ninguém. estenderia o conforto empregatício a meus pais, meus irmãos e os amigos mais fodas que tenho.
23 – montaria uma editora linda, com um café lindo.
35 – teria uma casa maravilhosa com setecentos labradores réi abestados e um sítio de abrigo para cães, gatos e galinhas abandonadas.
49 – eu ia ficar doida.
51 – certeza: eu ia ficar doida.

lembrei que em minha orações sempre peço que deus não me dê nada tão fácil. e ri de mim. me virei e a fila, antes inexistente, estava formada por umas quinze pessoas. sorri, quase gargalhei. dobrei o papel de apostas, desci dois degraus e quando coloquei o all star branco na avenida duque de caxias, os sinos começaram a executar a sua função de ser uma-das-coisas-mais-sensacionais-do-mundo. agradeci a toda uma fortaleza de sensações e imaterialidades que me compõem.

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