dois vestidos no quintal do horizonte

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as roupas também não se lavam sozinhas. não há espuma sem o remexer da água e o sabão. e espuma, todos sabem, é muito legal. é um processo químico e quando reage, provoca calor. hoje eu senti muito calor. e corri muito pelo centro da cidade de fortaleza. reparar arestas, ajeitar algo que me propus a realizar. uma das coisas mais bonitas e intensas que me nomeei coordenar. entre a ansiedade, preocupação, saudade, equilíbrio financeiro, equilíbrio emocional, família, delegacia, passagens aéreas, editais, oficinas, freelas, dedo cortado, cabelo ressecado, casa vazia, alma dolorida, corpo que espera, cidade a piscar.

voltei às roupas. debaixo do chuveiro, balde novo, sabão velho. água, muita água. e vem o choro e vem o medo e vem a força. chuá chuá. cabelo enorme olhado pingando pelos azulejos. há uma raiva incomum em dar porradas nessa calça jeans que me carrega por esses dias tão estranhamente sem tempo.

eu não sei dizer palavra e não sei, nunca consegui não magoá-la. nunca por querer, nunca. NUNCA. assim pela primeira vez em capslock porque é NUNCA.

peço desculpas e penduro dois vestidos no quintal do horizonte da sua nova casa quando passa um avião e me pergunto como estará você.

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