inteirinha, num fôlego só

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sentada em frente ao rei do sushi aninha não se aborrece em esperar por mais de quarenta e sete minutos aquele seu paquerinha morto de fofo que tanto a agarrou no carnaval. aninha escreveu uns versinhos, mas acha bobagem entregar-lhe aquele papel colorido com sua letra redondinha de caligrafia treinada até a quarta série quando a tia cecília, a professora de olhos azuis e cabelos curtinhos, segurava em sua mão e dizia: muito linda a sua letra, aninha!

não. aninha acha melhor declamar a poesia inteirinha, num fôlego só, olhando para um ponto fixo e imaginário láculá, e despejar todas as rimas e estrofes melosas e incompreendidas nos ouvidos dele. é, já se decidiu, é isso que vai fazer, caso ele chegasse, mesmo atrasado, todo molhado de chuva ou cravejado de balas ou de flechas cruzando as mesas daquela praça de alimentação. ala dos glutões e ávidos por carboidratos e docerias.

aninha amassa a bolinha de papel, aperta-a com ansiedade e expectativa por ele, que não chega. em pleno dia da poesia.

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