minha memória só alcançou o perecível

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hoje eu esqueci as senhas. minha memória só alcançou o perecível. vesti qualquer roupa e caminhei para o meio da rua com qualquer pensamento, qualquer coisa além desse desasossego que resolveu ficar aqui dentro.

hoje acordei mais tarde e passei a manhã inteira sem dizer palavra alguma. os telefones tocaram, as músicas das fm’s não foram cantaroladas, nenhuma dança no chuveiro: nada.

ônibus lotado sem reclamação alguma, suor na testa, suor escorrendo pelas costas, unhas roídas, praça sem pombos, céu sem nuvens, nenhum sino a badalar depois da hora.

hoje eu tranquei a porta com duas voltas, fechei as janelas e as cortinas, deixei a escuridão se achegar, almocei jiló e rúcula e desisiti da declaração de amor quando a secretária eletrônica sorridente e estridente me convidou a gravar algo logo após o bipe.

hoje eu fui grossa mais do que o normal, a secretária acha que sou café-com-leite e interpela sobre meus passos, cruzo aperriada ruas e avenidas, jogo na loteria, pago – enfim – a conta de energia e ela, essa energia, essa contagiante movimentação do mundo decide se achegar numa frase linda linda linda de sarah diva ipiranga:
não dar ao outro
o que não pode deixar de seu.

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