dos que se desesperam: é o mundo

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ventou forte e, além dos jambos avermelhados, caiu ao solo um ninho de bem-te-vi. bem-em-frente-da-varanda-da-alice. juntou as duas mãos e tentou proteger o pobre bichinho. teria nascido agora? teria sido obra de algum menino da vizinhança com baladeiras em punho? ainda existiriam baladeiras? aonde andaria a mãe do passarinho que piava um choro de solidão?! o que fazer com um passarinho tão pequenino.

ainda bem que havia ainda o ninho e toda a ideia de um berçário, de um útero, de uma casca protetora a aquecer a pelugem de quem se esgoela pedindo alimento. alice, o ninho e o pássaro. achou melhor nomeá-lo, dar-lhe logo um substantivo, ter lugar no mundo – é possível que dessa forma ele permaneça, seja forte, fará falta.

confortou-o, mas seu coração gritava o piado dos que se desesperam: é o mundo. passou a noite entre o velar do ninho e sua própria dor.

na manhã dominical, logo após as missas ouvidas pela tv na casa da vizinha a constatação: a vida é frágil.

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