esperar a água correr na cumieira

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em vinte minutos essa proposta deverá estar finalizada e eu deverei me deitar naquela cama. naquele quarto fechado onde ela sente dores e pede o ar. em vinte minutos deverei esquecer meus dramas e parar de reclamar das coisas infindadas, engolir meu choro, trocar a água do cachorro, tentar não ligar o ventilador e me deitar. tentar sonhar, dormir, contar estrelas, ouvir o barulho da rua e esperar a água correr na cumieira torcendo para que não vaze para os lados e molhe todo o forro. sempre penso que os pedreiros não são otimistas com chuvas. em vinte minutos deverei sair dessa mídia social, beber os últimos duzentos ml’s de água que faltam para que meu corpo se revigore como manda a santa medicina hipocrática.

o tempo vai consumindo meus sonhos e não consigo tecer novos horizontes. é doença, amufinamento, fobia social, catástrofes emocionais, mudanças e transições. tudo junto, vinte minutos reverberando o sentido mais amplo de me esvair no esquecimento quase honesto e um tanto quanto absurdo dos que me sabem.

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