plano B de fuga

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todo final de ano, no rio de janeiro, as coisas se complicam, ela me diz como quem entende de tudo. me fala com toda propriedade de quem desfilou avenidas e comunidades inteiras chiando um sotaque que muito a muito vai sumindo. meus lábios sorriem algo meio quietinho, respirando fundo e achando tudo lindo: o sotaque, ela, a esperteza e a cidade.

há quase um ano estávamos ali. zona de confronto entre facções, faixa de gaza, ruas da Maré. quase quinze dias íamos de lá pra cá, sob o sol escaldante, sob o medo, sob as vozes, sob a nobreza.

fomos ajudar a comunidade. respiro fundo, vou reformular a frase: fomos ser mais do que somos. a meta seria ensinar educadores a construírem fornos solares a partir de materiais reutilizáveis. a verdade era: queríamos ver os amigos, pisar na metropole e ser mais felizes.

hoje abro os jornais e vejo que tudo continua lá. entre os CIEP’s ELis Regina e Samora Machel, na Favela Nova Holanda, Comunidade da Maré, Rio de Janeiro. inclusive aquelas crianças que cozinharam batatas e arroz. que nos ensinaram a ficar quietinhos e abaixados quando ouvíssemos os tiros, inclusive aqueles pais que se dirigiam aflitos pelas veredinhas plano B de fuga. inclusive as professoras e aquela diretora de escola de risada farta. 

inclusive eu, google maps aberto,

coração aberto.

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