O que devemos saber sobre o Cariri

É questão de alma, me soprou um espírito velho, sobre querer largar tudo: gentílico, certezas, família, amigos. Nada deixado para trás, aqui se constrói o agora, o presentear-me com o passar da vida num ritmo outro, não tão longe das grandes metrópoles, mas bem perto, bem íntimo do que chamamos o que vem a ser felicidade.

Terra dos índios, de muita história – muitas tantas e incontáveis negadas, outras tantas vividas e vivenciadas. Terra cercada de chapada, de chão, lugar aonde se escolhe ficar, permanecer se multiplicar.

Vem de longe a pergunta, num fim de tarde que me curia sobre o Cariri. Eu, quase um ano de raízes sendo incrustradas nas rochas dessa explosão de memória viva, me assombro ao aconselhar:

Cariri é a dança dos índios Anicetos, mais de cento e setenta anos depois, a Banda Cabaçal que anima os corações, é a multidão de romeiros em busca da redenção de suas dores, seus pecados e suas lidas; é o soldadinho do Araripe, pássaro de cabeça encarnada com sua majestude ainda possível de ser observada; é caminhar pelo casario antigo das ruas da Barbalha ouvindo solenemente os carregadores do Pau-da-Bandeira a visar que vão largar o caule pesado no chão; é a festa popular nas feiras, nas cantigas de folhetos rimados e entoados para o vento levar bailando palavras e histórias; é Padre Cícero, meu padrinho, com sua visão além de seu tempo a proporcionar a economia e o crescimento de um lugar, fazer do chão o lugar sagrado. É fé e devoção esquecida e sempre sempre sempre que possível trazida à tona na fidúcia da beata Maria de Araújo e nossas hóstias ensanguentadas nos colocando bem próximas de um Deus comum. Não há como não se alumbrar diante da vista que se alcança nos altos de Caririaçu, nem de como não marejar os olhos e ter o coração repleto de vida ao pisar na Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, uma gestão afetiva e carinhosa de educomunicação feita para e por crianças. E as sandálias de couro de Seu Espedito Seleiro?! E o museu paleontológico de Santana do Cariri a nos lembrar que antes de nós já existiam tantos outros, e tantos bichos, e tanta vida que ficamos mesmo a nos perguntar: para onde vamos, como vamos e com quem iremos?!

Vamos dançando no solo sagrado que aqui nos estampa em fósseis preservadíssimos: aqui é chão de vida!

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