sempre estou a nascer

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dezoito horas e a pista parada. luzes amarelas em cima, faróis avermelhados. ficamos sentadas uns vinte minutos até percebermos que aquele ônibus não passava mais por ali. só se mudou, ela insistia. sentei ao seu lado e segurei sua mão. de repente não havia mais carros, nem barulho nem luz, nem nada. a hora da despedida vem se aproximando. minha dor vai ficando aqui porque não consigo mais chorar. não posso mais chorar, porque não há porquê. me sinto não cabendo mais em mim, com tanta raiz e cicatriz e tanto preenchimento.

não há vazio e estávamos conectadas, como desde sempre. uma avenida vira um útero e tenho essa sensação de que sempre estou a nascer.

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