la complicidad

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olha, amor, podemos dormir vendo o céu estrelado!
e pela janela do quarto o mundo lá fora silencia o acalento de dormir em paz, de me aconchegar ao lado do corpo-casa que escolhi morar. amor é esse terreno fértil, esse encontro constante com a paz.

La complicidad es tanta
Que nuestras vibraciones se complementan
Lo que tienes me hace falta
Y lo que tengo te hace ser más completa
La afinidad es tanta
Miro a tus ojos y ya se lo que piensas
Te quiero porque eres tantas cositas bellas
Que me haces creer que soy

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e a dor continental de estar tão próxima da armadilha dos pensamentos.

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os dias do desassossego.
bem de perto ele olha, se equilibrando no fio de cabeamento telefônico. me espia, esse soim, esse sagui sem trema que não treme ao latir da cachorra elétrica que vocifera um sai daqui em latidos ensurdecedores.
é calor demais e há a possibilidade das portas abertas, janelas escancaradas e reparamos o muro da comunidade pintada, gente, gesso, grandes sonhos e tantos sóis.
do desconforto, sei o histórico, as marcas ferradas nas células, os alívios e a dor continental de estar tão próxima da armadilha dos pensamentos.
vamos juntos, seja forte, vem comigo, estou aqui, respire bem, cores, conversa, ansiolítico e o mundo lá fora a girar.
aqui dentro um mundo maior a gritar.

fora. lugar.

não percebo e a noite cai. a luz desse computador e o brilho vermelho piscante de um pendrive que toca mp3 em médio som são as únicas fontes de luz. está tudo fora do lugar. tudo.
fora do lugar.
fora. lugar.

e tento deixar as janelas abertas

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podaram as duas árvores de Nyn Indiano daqui da frente da casa. agora a varanda está aberta, todos podem ver que há na parede um quadro conclamando a revolução. todos olham para cá, lá de baixo. transitam, espiam. respirei fundo e só me resta, apenas, esperar que elas encorpem outra vez e possamos ter nossa discrição de novo.

do outro lado da cortina os dias desfilam, findam e recomeçam. do lado de cá, aparo arestas e me reconstruo, dia-após-dia. ou um dia após dois outros. ai como não dói ir pra frente, ai como é ruim ficar pra trás!

sobre dar adeus a juventude e hoje é o último dia de declarar as contas da MEI, perdi. o aluguel já vai chegar, tá garantido. hoje cozinhei e me senti bem. chegou o final de maio e tento deixar as janelas abertas, mas tem a claridade excessiva, tem os gatos do telhado e o mundo lá fora, lá longe,bem longe…a colina do horto e meu padrim, e as promessas e as vontades e o mundo lá fora…………………………………… o mundo aqui dentro anda tão emaranhado

explosão, luz e desassossego

há dez anos, meu bem, aquela coisa toda aconteceu. explosão, luz e desassossego. era apenas o começo dessa descoberta urgente que até hoje me ameaça. se eu não tivesse seguido o arrebatamento, a uma hora dessas o que seria de nossos corações?! em que unidade da federação estaríamos?! teríamos nos salvado de tanta correnteza?! teríamos gastado tanto em passagens territoriais?! teríamos plantado quais árvores?! escrito que livros?! percorrido que mares?!

eu sempre estive de passagem

sentei por apenas dez minutos naquele batente de concreto sob a calçada de ladrilhos hidráulicos. aquela rua me parecia aprazível, me lembrava as tantas calçadas das ruas de recife que nunca decorei o nome, nem precisaria decorar: eu sempre estive de passagem.

pés descalços, numa roda de energia

treze de maio de dois mil e quinze. setecentos e trinta dias vivendo no crato.
parece uma eternidade e me assusto com o pertencimento: parece que foi ontem a decisão de colocar sonhos, vontades, coragens, cachorra, passarinho, moto e cama num caminhão.

treze de maio, hoje.
pés descalços, numa roda de energia, sob o céu mais estrelado de todos os céus.

enfim, pousei.

dentro, ao lado, contido

eu desejo à você, do fundo mais bonito que há mim
que um breve dia você alcance
abrace sacuda beije cheire
lamba sugue percorra

e

que esse outro ser
que tanto você deseja
estar perto
dentro, ao lado, contido
contigo
também queira

e que não haja oceano algum
nem empresas intermunicipais
interestaduais
apenas interestelares línguas

há de fazer sentido
esse sentir todo